sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Quando quero fazer verso logo penso no reverso

Como ando a procura de espaço para o desenho da vida as luas azuis aparecem no horizonte oferecendo um cantinho de céu para uma expressão que não se contenta em caber em si mesma. Sei que para a maioria das pessoas a paralisia ocorre justo quando têm tanto a dizer, em contraposição meu problema é saber quando calar.

Como venho lidando com música todo santo dia acabo esbarrando em lindas poesias que não souberam quando o silêncio deveria estar justo ali para tornar tudo simplesmente lindo. Olha que não estou dizendo o óbvio, algo como: porque é imortal... (para por aí que tá bom) não morre no final (sério isso?).

Poderia citar a que Whitney Houston estava mandando bem ao dizer que havia encontrado o maior amor do mundo. Se ela só ficasse na parte em que havia desenhado um mundo melhor onde as crianças pudessem florescer sua linda voz seria moldura para um verdadeiro um espetáculo! Infelizmente ela prossegue apontando para seu próprio narcisismo, algo bem diferente de autoestima.

Assim chega o malandro na praça outra vez, caminhado na ponta dos pés na esperança de que o que é dito não seja empanado pela ausência do silêncio.

Para cada estrela que quero contar há uma centena de dementadores prontos para sugar nossas almas. Então acenem freneticamente se eu passar de 10 minutos e joguem ovos podres antes que eu seja desagradável.

Então prometo ser breve ao contar como é ser o mais novo de onze, filho de uma mãe cuja coragem beirava a loucura, aluno de um professor que me ensinou que a marca dos grandes mestres é a generosidade, amigo de caras prontos para dar a própria vida para ajudar alguém em apuros, professor de alunos que mais me ensinaram do que aprenderam, companheiro de uma mulher tão linda que me faz pensar que devo ter aliviado as dores do próprio Cristo na cruz em uma de minhas encarnações, pai de crianças que me enchem de orgulho.

Nessa trajetória fui colecionando enredos que vão passar nessa avenida, mesmo que alguns queiram pôr correntes no nosso bloco ou calar a nossa voz diante do que nos fere o próprio senso de justiça.

Assim que minha poesia seja feita do silencio que arranca as mordaças e da palavra que edifica. 


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