O narrador da minha penúltima passagem de Comando cometeu uma pequena gafe que acabou virando uma piada interna. Ao ler a lista de convidados anunciou o nome do Sargento Herói, quando deveria te lido Herdy. Costumo dizer que a única pessoa que não pode errar meu nome é minha linda esposa, filosofia compartilhada pelo amigo que apenas sorriu com o deslize.
Lembro disso quando acabo de perceber que no último texto disse que Perseu era o líder dos Argonautas, quando na verdade deveria ter citado Jasão. Então vamos pôr ordem nessa bagunça:
1. Hercules fez uma porrada (palavra perfeita para quem bateu até em Marte) de trabalhos, mesmo assim costumamos dizer que foram 12;
2. Teseu é o cara que fingiu ter tesão por Andrômeda para pegar o touro a unha;
3. Perseu virou estátua em um montão de lugares, mas não diante da Medusa;
4. Jasão juntou uma galera e colocou numa galera (desculpe num trirreme), mas quem resolveu a parada mesmo foi Medéia, que no fim das contas teve mais um dia para destruir o passado e o futuro do ingrato;
5. Ulisses foi o cara que ralou para voltar pra casa;
6. Aquiles era o do calcanhar de vidro;
7. Homem Aranha é aquele que não viveria trepado em paredes se conhecesse a Mulher Maravilha; e (meu preferido)
8. Heitor o cara que se manteve fiel aos seus valores mesmo derrotado.
A lista fica incompleta. Conheci alguns outros que o foram diante de meus olhos. Bombeiros que deram a vida. Professores que mudaram comunidades ao seu redor. Isso só para falar das profissões nas quais fui amador, amante e amado.
Heróis têm mil faces. Vivem no dia a dia. Recusam o chamado, pois não pedem para ser heróis. Atravessam a ponte entre o mundo e o sagrado. Enfrentam monstros que vivem em seus corações. Encontram a sabedoria pelo caminho. Se retiram nas cavernas do inconsciente. Sobrevivem. Voltam para mostrar o que aprenderam para o mundo. Ou seja, são pessoas como eu e você.
O problema está no fato de que não percebemos como nossas vidas são extraordinárias. Então, vivemos em busca de uma metáfora estrondosa e passeamos por aí sem notar que somos protagonistas de nossa própria jornada.