Tenho um amigo que escreve, outro que revisa, outro ainda que lê. De um modo absurdo os três me deram um tiro de canhão, e todos no mesmo dia. Sabe aquela canção de Teresinha de Jesus, pois é. Fui a queda, e ao chão. A vantagem é que do chão a gente não passa. Pelo menos até Dante inventar o inferno.
Você acredita que um cara que revisou não menos que Drummond teve a pachorra de comparar um texto de Machado com meus versos e reversos. Para tudo e vai lá pegar meu ego que está quicando no teto.
Mais cedo um amigo que tem mais intimidade com Jesus vem me dizer respeitosamente que entende meu coração agnóstico. A canção que toca no fundo é “se todos fossem iguais a você”. Aqui cabe lembrar de uma referência do passado, torcedor do Olaria, que sempre dizia são onze contra onze, em nenhum outro lugar do mundo um oprimido tem tamanha oportunidade de vencer. Seu Omar, sempre tinha uma palavra ou outra de sabedoria, pois entendia os malucos de verdade. Ele mesmo era maluco antes de se encontrar com sua espiritualidade. Assim compreendia que não cabia a ele julgar os caminhos dos outros.
Logo de manhã quando vinha o Sol e as gotas de chuva que ontem caiu leio o texto fresquinho de um poeta que tem a gentileza de compartilhar seus escritos comigo, sugiro que recite com “todo sentimento” ou “O céu de Santo Amaro” como pano de fundo. Aqui percebo que ele sorrateiramente roubou minhas palavras.
Como expressar o amor por quem vê beleza no pouco, no detalhe, até mesmo no invisível?
Meu coração ateu quase acreditou nas suas (seis) mãos. Isso não foi um breve adeus. Foi um venha aqui. Você não está sozinho.
