O texto que fiz sobre nostalgia continua ecoando por aí. Sei que fico forçando a barra perturbando meus 12 leitores de sempre. Mesmo assim, você sabe como é. Se a gente deixa para lá a solidão é fera. Três fatos se somaram ao contexto:
1.
Um
vídeo de IA mostrando os personagens dos desenhos animados, envelhecidos, se
abraçando;
2.
O
alcançar dos 60 anos de meu melhor amigo; e
3.
Outro
vídeo elogiando as músicas dos anos 80.
Esse
terceiro assunto gerou profundo debate com outro grande amigo, com o qual
fiquei disputando quem iria mencionar a música mais antiga. Quando chegamos a
Mozart demos o assunto por encerrado. Ou pelo menos, esse assunto, pois logo
volto a outro que veio no trem do pensamento, ou melhor, emendado que nem
cantiga de grilo, como diria minha mãe.
O interlúdio
aqui vai ser estabelecido ao oferecer congratulações natalícias, pois é
assim que velhos dizem feliz aniversário. Aqui o tema rodeou o cartão de
estacionamento recém adquirido e a constatação de que como somos muitos sexagenários
por aí o nosso valor de mercado é depreciado. Pois assim funciona a lei da
oferta e da procura.
Voltando a
conversa, ao chegar no Amadeus e sua extremadamente bela canção chamada Lacrimosa,
o amigo pontuou que ela se referia ao juízo final, e não a partida do pai do
autor. Fato que ficou no meu inconsciente desde que vi o filme sobre o
compositor.
Aqui fica
o mote de minhas escritas: Jamais deixe a verdade atrapalhar uma boa história,
pode até ser que ao ver o filme eu estivesse aprisionado pela relação entre o
Simba e o Mufasa do Rei Lear, ato falho, Rei Leão. Cansei de ver os olhos de
meu filho se desmancharem em lagrimas durante a cena tantas vezes repetida no vídeo
cassete.
Agora se
agarra aqui na minha mão. Penso que em algum dia da vida de um homem ele é quase
obrigado a se despedir da figura paterna para quer ele mesmo assuma a coroa,
seja essa da Noruega, da música pop (Michael Jackson que o diga), do futebol ou
mesmo dos tempos imemoriais representados pelas savanas africanas.
Isso tudo
só para dizer que a tal nostalgia pode ser embalada em uma canção de ninar,
cantada por um pai que simbolicamente já partiu. E pode até mesmo não ser uma
dor se entendermos que, velhos que somos, mudamos de papel. Isso pelo menos enquanto
outro rei não venha nos tomar aquilo que lhe é de direito.

