Como tenho escrito bastante corro o risco de ser repetitivo, mas lá vai: só vou acreditar na tal meritocracia quando todos tiverem acesso a pão e livros. Como cheguei a essa conclusão? Fácil responder, em minha casa havia um menino sempre tinha um livro ou dois a disposição. Ele também sabia ser repetitivo quando necessário, entre suas frases prediletas vou pinçar duas: “livro quem empresta é bobo, quem devolve é otário”, “a gente tem que ler de tudo desde panfleto até bula de remédio”.
Nesse momento você pode pensar que o Maninho era uma espécie de vilão, mas é justo o contrário, em minha infância ele era o meu herói improvável. O menino que se queimou todo para fazer café enquanto o resto da família ainda nem havia acordado. O rapaz que incentivava todos a ler. O homem que faz da luta pela justiça social sua bússola ética.
Tentando seguir o exemplo até hoje leio temas que não me agradam o que passa por tarot, autoajuda e horoscopo. Afinal como discordar de algo que você nunca leu. E foi assim que um livro que analisava os contos infantis caiu em minhas mãos, e como estamos falando de improbabilidades isto se revelou em uma chave incrível para a interpretação de textos literários.
Em resumo a ideia é a seguinte: pegue um arquétipo qualquer, por exemplo a figura paterna, e o dividida entre o lobo e o lenhador. Assim podemos criar uma trama onde luz e sombra estejam em movimento e tenham a chance de dialogar. A partir desse ponto passei a ler de um modo totalmente diferente, o que por sinal também serve para interpretar sonhos.
Um bom exemplo disso é a série sobre um médico genial e irônico; cuja personalidade marcante lembra demais meu irmão. Quem vê logo de cara, entende logo que o nome do médico é referência ao Homes. Até aí é elementar, meu caro Wilson, desculpe, Watson. O problema está em como mostrar para o público como uma mente analítica funciona por dentro. Chega aqui a hora de pegar uma espada literária para dividir o personagem em detetive e auxiliar, ou oncologista e o clínico. Assim o que se passaria só na mente vira diálogo.
Aqui chegamos no capítulo final de House , quando algo incrível acontece. Por um motivo que não lembro, lá se vão os dois melhores amigos em uma road trip. É isso pensei. Assim eles deixam de ser indivisíveis do duo. É para isso que serve a literatura. Finalmente entendi que quando essa luz se acende percebemos que nossos textos são coletivos.
Compreendo isso justo quando meu melhor amigo cumpre a parte dele, pega o carro vai para o sul do mundo, algo que combinamos fazer juntos. Então esse texto foi roubado diretamente da mente de um cara que vai encarrar essa jornada individualmente.
Muitas referências em um só texto, analisando lentamente da pra entender o significado de cada uma delas.
ResponderExcluir