quarta-feira, 4 de março de 2026

REFERÊNCIAS E REFERENCIAIS

Para não dizer que isso só acontece comigo vou apontar o ocorrido com um poeta de verdade, em minha opinião não um poeta qualquer, o maior que já ousou bagunçar e construir a língua brasileira. Logo depois de um vestibular analisar seu texto ele simplesmente publica uma crônica no finado Jornal do Brasil discordando. Mesmo assim a banca bateu o pé e manteve o gabarito, a despeito dos inúmeros pedidos de anulação. Ou seja, se você quer que algo que escreveu não tenha interpretações divergentes simplesmente não publique, o que no cerne da palavra significa tornar público. Por sinal eis o motivo de bancas evitarem textos de autores vivos.

Fosse esse um texto informativo me sentiria obrigado a responder algumas perguntas, tais como: Quem? Quando? Onde? De que forma? Qual a motivação? Assim é o que faço nas aulas de física quando jogo uma bola no ar. Ou seja, se você está lendo isso aqui quer dizer que você disse sim ao meu do you wanna dance? A ausência de referencias abre um espaço no seu imaginário.

Tudo fica bem diferente durante as aulas. A tal bola que jogo vai ter energia cinética, potencial gravitacional, rotacional (se estiver girando), velocidade, aceleração definidas... assim podemos prever o que acontece com a tal esfera. Tudo isso fica relativamente fácil se você vê o movimento do lado de fora, estático em relação a um referencial inercial. Entretanto para uma infeliz formiga que está sobre a tal pelota tudo é bem diferente, ou até fatal.

Aqui é que metáfora e metafísica começam a rimar. Um bom exemplo disso é esse clip: https://www.youtube.com/watch?v=HCEzzlgG5RM, .... (intervalo para você ver enquanto eu calculo o tempo de queda da bola e preparo o funeral da formiga) ... no qual Kate Bush atinge notas capazes de quebrar copos de cristal (já que mencionei aulas de física isso não é fake – o nome disso é ressonância). Antes de saber do que a música versa observe a intepretação da artista. Se você responder a ela como se visse um filme de terror ou fantasia, sua mente deu um salto quântico e levou exatamente onde ela quer te levar. A história da música é sobre um fantasma que quer voltar para casa. Nesse ponto saber ou não as referências não impede que você seja arremessado para longe de tudo, igualzinho a formiga que estava na bola e agora está contando piadas de elefante para São Pedro.

Enfim, nem sempre queremos quebrar as muralhas de Jericó, o soar das trombetas aqui só têm a intencionalidade de quebrar as barreiras entre mim e você. É por isso, somente isso, o que me faz abrir mão de um texto que deveria ser só meu, somente meu, meu só. Só para que eu não esteja só. E que assim seja para sempre, ou pelo menos até que o chat gpt me substitua.

 

Remo Noronha

 

ps. O poeta do primeiro parágrafo é Carlos Drummond de Andrade. O que revelo a contragosto, nada é pior do que uma piada ou uma metáfora explicada.

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