Sabe aquele tipo de exercício no qual você tem que preencher os pontinhos, pontinhos? Nesse a resposta era: fotossíntese, energia solar, vegetais verdes, água, gás carbônico e glicose. Até aí tudo bem. Mas sabe quando me sinto atropelado por um bonde? Quando vejo isso em um livro do primeiro segmento do ensino fundamental.
Vamos aos fatos. A tal da fotossíntese só pôde ser minimamente compreendida com o advento da física moderna. Sabe essa palavrinha que os gurus do youtube cansam de usar, pois é. Para entender isso é necessário saber um pouquinho de física quântica e efeito fotoelétrico.
Ou seja, se você não é um iniciado em ciência básica como a maioria dos seres humanos que povoam esse planeta o texto certinho, completinho, bonitinho e corretamente preenchido vai ser na melhor das hipóteses apenas memorizado. É isso que exigimos de qualquer criança de 10 anos na maioria esmagadora das escolas.
Sabe aquele cara odiado por uma imensa galera, um tal de Paulo Freire? Ele dizia que não se pode alfabetizar um adulto nordestino no espaço tempo que ele viveu usando frases do tipo “vovô viu a uva” e sim começar com palavras como tijolo.
Em síntese não se pode aprender realmente algo que não faz sentido para você. Já estive aqui defendendo a ideia de que não deveríamos fazer provas escritas de inglês nessa fase, evitando ter que explicar que o H de cavalo tem som de erre e do de hora é mudo. Enfim, na ânsia de criarmos escolas com ensino “forte” estamos condenando uma geração inteira ao tédio e a noção que estudar não faz sentido algum.
Quem teve a chance de plantar um feijão em um copo com algodão na infância, experiencia que tristemente me faltou, provavelmente tem uma intuição muito melhor de como funcionam os tais vegetais fotossintetizantes.
Aprender é um ato profundamente humano. Algo que nos afasta do intuito animal de poupar energia de uma parte do nosso corpo que gasta muito mais que todo o resto em termos proporcionais, ou seja o cérebro. Talvez a resposta seja o afeto, ou seja, de alguma forma temos que aprender a gostar de aprender. O que não deveria ser difícil para um menino cercado por plantas em sua própria casa.
Se mesmo adulto você ainda se sente perdido nos processos de obtenção de energia procedido pelos tais vegetais verdes talvez a poesia possa lhe ajudar um bocado. Para isso ouça o Caetano cantando a música tema do filme índia a filha do Sol em que ele simplesmente diz: “Luz do Sol, que a folha traga e traduz em verde novo”.
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