Chamem de coincidência ou de sincronicidade, estou lendo mais um fascículo da enciclopédia sobre mitologia, justo enquanto as oposições no campo político marcam a separação entre Hermes e Afrodite. Minha mente eurocêntrica (mea culpa) não esconde o fascínio do mundo grego romano, de todos os heróis nenhum marca essa passagem de bastão melhor do que Eneias. Ao fugir de Troia ele leva o filho e o pai... mas deixa a esposa,
No noticiário pipocam as repercussões da fala do netobaby
da ditadura. Material para torcer o nariz não falta e as comparações com os Contos da aia são
inevitáveis. Pego o escafandro e as luvas para suportar tamanha nojeira, pois
antes de ouvir qualquer opinião tenho o cuidado de ver o original. Respiro fundo e tudo que ouço ele dizer é
(desculpem meu francês) é pau no cú de Creusa, repetido de tantas formas
diferentes que penso: tem como ser mais explícito? Lá é estabelecido que mulher
não sabe votar, especialmente as solteiras, porque as casadas ao menos ouvem
seus maridos, permeados entre outros inúmeros paus no cú de Creusa.
Um pouquinho de contexto sobre o tal fundador mítico
de Roma que ao fugir de Troia leva seu passado e seu futuro, como já descrito aqui,
porém algo de menor importância fica no interior dos muros, sabe quem é? A tal
da Creusa.
Sei que era hora de ficar calado, pois um dos princípios
básicos dos confrontos é não atrapalhar os adversários quando estão errando feio.
O problema aqui é bem outro do que empoderar as filhas de Vênus em geral, mas
uma em particular. Sabe quem muito ensina o tal do machismo? As mães que não permitem
que meninos lavem a louça pois isso não é coisa de homem. Quando isso é apimentado
pelo fanatismo religioso a coisa fica realmente perigosa. Nada contra quem
professa qualquer fé, tudo a quem quer substituir uma constituição pelos seus dogmas
fundamentalistas (em especial se me proibirem de fazer a barba, fico mais feio
que o Capitão Caverna).
Mesmo essa em particular em pouquíssimo tempo irá
perceber que seu papel já foi encenado na ficção basta ver o que ocorre com a
Serena dos Contos da aia. O que de certa forma não é muito diferente do que já
ocorreu com tantas encarceradas nos muros de tantas Troias invadidas por
cavalos.