Início de tarde, uma tarde fria, sabe aquela canção que a Elis cantava dizendo o quanto a manhã é maravilhosa antes de ler o primeiro jornal? Essa tarde é justamente o contrário. Jornais lidos, e nem papel eles têm para enxugar as lágrimas.
Talvez eu poderia ter o enorme coração de Carlos, naquela poesia que estampava a nota de cinquenta, só que a nota está tão amarela que nem sequer lembro qual era a unidade monetária. Mesmo assim ainda ecoa: “caminho por uma rua que passa por muitos países”.
Nela encontro meus amigos. Eles passaram alguns dias de amargura e esperavam mais da vida. Já disse isso aqui mesmo, são pessoas cujo valor não é tão óbvio. Eles não têm ouro no bolso nem vivem com Lucy em um céu de diamantes.
Os vejo caminhar para suas próprias Ítacas, preferindo a jornada à desistência. Entre crítica e autocrítica poderiam saber o quanto são relevantes. Eles deveriam saber o seu valor a partir de meu olhar afetuoso.
A cada dia devem lidar com as expectativas de um mundo que lhes indicam topos de montanhas geladas, para no fim das contas entenderem que o único destino possível aponta para o próprio coração. Enfim, espero que cada um deles encontrem afeto. Afeto é revolucionário.
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