quinta-feira, 9 de junho de 2016

Subidas e descidas (ou o que ouço por aí)


Ei, ei, ei... Ô... Ó ai!..  Ó auê ai ó!

- Maizé, fala pru Cazalberto pra cumprá café... Na hora difazê sêle pergutá sé pra popó, diz qué pra pôpocupó.

- Mermão, taquissssiaqui ta muitu caru?
- Ih! Só nu tiru, e tá mais que um galu!

- Achá uma acha nois acha. Difici é achá uma acha quenum racha.


(vô nem pô meu nome nu final, sacanagi dizê qué dinhautoria)

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Os inomináveis


Há um tipo que é considerado como capaz de uma das expressões mais vis e nefandas da humanidade, estranhamente o seu ato não é criminoso, pelo contrário, é incentivado.
Colaboracionista, ass kisser, capacho, lambe-botas... imagino que um montão de línguas mundo a fora tenha pelo menos um título nada lisonjeiro para o que chamamos de puxa saco.
Esta é uma figura simplesmente odiável, pois a mesma mão que puxa saco também pode puxar tapetes. Quem é capaz de bajular para subir na escada corporativa é capaz de muitas outras coisas.
Bem... nada contra ter um bom relacionamento com o seu chefe, na mesma medida que não é anormal buscar um relacionamento amistoso com a maioria dos seres humanos. (Sim! Maioria. Ser amigo de todo mundo além de falacioso nos coloca na posição de banana de plantão. Não podemos aceitar sossegados qualquer sacanagem ser coisa normal).
Só que as figuras capazes de dizer coisas como:
- Se espirrar no caminho saúde!
- O senhor é a segunda pessoa que eu mais gosto, e a primeira é quem o senhor indicar.
- Deixa eu ter o prazer de carregar a sua pasta?
- Quem não puxa saco, puxa carroça.
Ou outra coisa do gênero, há muito tempo já ultrapassaram as suas cotas de serem ridículos.
Um cara assim perde o seu próprio tempo, irrita a equipe e incomoda o chefe com assuntos irrelevantes. Ou ainda pior, vedam a quem decide a possibilidade de uma crítica sincera, impedindo a chance de correção atos indesejáveis, uma vez que sempre concordam. Então fica a pergunta... por que existem?
Faço esse questionamento acompanhando a visão de que um ser vivo assim permanece por uma questão utilitária, pois uma borboleta morre após procriar, e certas aranhas se alimentam do macho assim que eles cumprem sua missão. Um ancião, por exemplo, não é inútil, ele serve de cola às famílias, de suporte às tradições locais e é uma referência para as questões insolúveis.
Tendo tal visão como moldura resisti a uma resposta mais simplista de que os puxa sacos sobrevivem às custas de egos alheios, o que apesar de ser um tanto verdadeiro não explica o fenômeno de um modo mais abrangente. De qualquer modo, podemos classificar estes seres em duas tipologias, os que o fazem conscientemente, manipulando seus chefes e os outros que também têm seu próprio ego massageado pela proximidade do poder.
Isso! Poder é a chave.
Esses papagaios de pirata são indicadores de poder, e quanto mais alguém os têm mais poderoso se mostra na sociedade.

O poder sem medidas apodrece as pessoas, e é nesse mofo que esses serem inomináveis prosperam. 

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Mestre dos magos

MESTRES DOS MAGOS

Enquanto Patrick Rothfuss não se digna a escrever o terceiro livro de sua saga eu fico aqui jogando candy crush. Frustrante é pouco, já começo a pensar em uma solução violenta, algo como um sequestro com requintes de crueldade.
A coisa tá tão feia que até na discussão comparativa entre kvothe e Harry Potter já me meti. A única coisa que posso dizer sem sacanear muito quem ainda não leu é dizer que ambos são assim, assim estudantes universitários.
A grande diferença está no uniforme, enquanto este usa uma veste que o alinha aos seus colegas, aquele tem um modelo único, conquistado de um modo inusitado.
O fato é que com ou sem uniforme é comum sofrer abusos em escolas, ambos personagens passaram por isso, por pertencerem a classe social errada.
Entretanto, qual afinal é a classe certa? Sempre entendi o mundo como a divisão entre a casa grande e a senzala, só que no caso de quem estuda, há muitos que querem ser feitores. A escola, então, passa a ser objeto de clareamento de pele daqueles que não conseguem esconder o estigma dos grilhões em seus punhos.
Duvida? Quantas vezes; oh! Nobre leitor ristes daqueles que pronunciam “gaufo”? Ergo sum usastes a língua pátria e seus desígnios, na nobre arte da exclusão dos incultos que sequer sabem a correta nomenclatura de sua brilhante prataria.
Sem querer ser chato pra cacete, ou mais realista que o rei, reconheço a educação como meio legítimo de ascensão social, sob o risco de ser xingado de burguês. Ora, moro em área urbana, recebo  o suficiente para cair nas garras do Leão, tenho confortos que o trabalho me trouxe, então não posso me destacar incólume desta pecha.
O que me incomoda na verdade é perceber que usamos o conhecimento adquirido em escolas públicas como instrumento de estratificação, e uma marca indelével disto é a instituição do trote.
Toda vez que vejo alguém de Grifinória em uma esquina todo colorido, imagino que há um aprendiz de mago esperando para beber de graça.
Por outro lado, se alunos da Sonserina, se juntam para beber cerveja amanteigada em um bar em um certo dia do ano, pode acreditar que eles vão utilizar todo seu conhecimento para não pagar a conta a sair rindo do coitado do garçom. Afinal no mundo da magia todos sabem que há leis que não pegam nem por um decreto.
Agora se isso ocorre em uma escola como a Corvinal, há o risco de se formar uma nefasta hierarquia onde manda quem pode, obedece quem tem juízo. Só que neste caso o prejuízo pode se estabelecer entre aqueles que deveriam ter metas comuns, e inimizade onde deveria haver união. Todavia, a maior perda ocorre quando se formam capitães do mato, prontíssimos a reproduzir os ditames da casa grande, por puro temor ao senhor; e chibata na senzala por desprezo aos escravos.

Ainda bem que isso só acontece em Hogwarts.

domingo, 17 de janeiro de 2016

SEMPRE NO MEU CORAÇÃO
You are Always in my heart
when the sky starts to gray

E assim lá vai mais um texto que cravaria um zero redondíssimo caso fosse avaliado por uma banca padrão ENEM. Principalmente no que tange a coesão e coerência, o que é algo fundamental, pois assim como eu já disse em fios de palavras: “teço um texto que acontece, e no instante em que o faço em suas linhas me embaraço”. Até porque a tal da coerência está perdida em um neurônio meu que é super preguiçoso e a coesão depende da sua paciência em suprir as lacunas nascidas de minhas inconsistências... mesmo assim lá vai.
Quando corro tento me distrair com qualquer pensamento maluco que quica na minha cabeça. Hoje eu estava cantando uma história que envolveu dois personagens muito amados: minha mãe que era a alquimia de uma quase ausência de formação acadêmica combinada com uma inteligência ágil e incomum, e o Anthony sobre quem vou ter de explicar um pouco mais. 
Mas antes devo dizer que este texto explodiu na minha cara por uma dessas coincidências impossíveis, assim que peguei no celular vi a postagem de minha prima, Raquel, com a MESMÍSSIMA música, em uma versão de Antônio Marcos.
Voltando a descontruir o texto preciso contar como um inglês duro queria dar o golpe do baú numa brasileira, supreendentemente (só pra inglês ver), também dura. E lá estava ele perdido em Nova Friburgo sem grana para voltar para Inglaterra, sabendo falar em português somente cruzeiros, amigos e namorar.
Enquanto isso eu era Aspirante a oficial no Sexto Grupamento de Incêndio e estava com o firme propósito de não estudar nunca mais na minha vida. Só que mais por tédio do que por sede de conhecimento comecei a estudar a língua de Shakespeare, e (re)descobri os caras de Liverpool daquele momento 4ever.
Então, quando o Anthony pediu (sabe-se lá como) ao sentinela para conhecer o quartel algum incauto disse: “chama o Aspira que ele fala isso aí.
Foi uma comédia. Eu estava no CABS há duas semanas, se fosse em francês minha apresentação do quartel seria algo como... O carrè vermelhè de bomberè... Depois de uma hora da pior conversação da história da humanidade, e um montão de gestos iniciei uma amizade para a vida inteira o que me forçou a obter fluência em tempo recorde.
Três meses depois o levei para o consulado no Rio, e me vi doido com um gringo, não menos louco, naquela semana que lutamos para encaixar ele num avião. E como eu tinha que trabalhar alguém teria que ser baby-sitter.
Resumo da ópera: lá estavam Anthony e Maria Augusta sem nada em comum além de cigarros e café.
Chovia, então ela disse com pompa e circunstância: “when the sky starts to gray”, era tudo que precisava ser dito para tornar o momento mágico.

Não vi a cena, mas na memória uma ponte se construiu. Não há nada mais belo do que dois seres humanos que fazem o possível para se entender. 

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Ronco.
Tô gordinho.
Falo demais.
Sou desajeitado.
Ansioso.
Acelerado.
Sou péssimo para contar piadas.
Apesar de conseguir pensar em assuntos de razoável complexidade, canso de cometer erros básicos, o que explica minha ortografia horrível e meus erros de conta.
Distraído a ponto de passar por alguém e não ver.
Tenho um ego do tamanho de um trem.
Dorminhoco.
Compulsivo.
E o maior de todos meus defeitos é juntar uma certa rapidez de raciocínio com uma sinceridade simplesmente desagradável. Algo assim como não vou dizer, não vou dizer, e... é. Já era.
Enfim, sei tanta coisa ruim sobre mim mesmo que fico imaginando como consegui ter por perto pessoas tão adoráveis, amigos leais, companheiros de trabalho, família e uma baita namorada.
Sei que qualquer desses defeitos seriam o suficiente para arruinar uma relação, basta usá-lo na dose errada.
Exempli gratia (ah tinha esquecido de dizer, sei duas ou três citações latinas e as uso pra mostrar que sou foda – ah, e ainda falo palavrão!) ser perfeccionista é muito bom em geral, só que quando a pessoa usa isso em uma entrevista de trabalho, para dizer que é seu ÚNICO defeito, sai de perto que o cara é chato pra...
Então como é que a gente atura uns aos outros? (faço perguntas retóricas).
O macete é o namoro, é nessa hora que aprendemos a usar polvilho para disfarçar chulé, bala de menta para o mau hálito e conversa mole para parecer bacana.
Só que não é essa a resposta, a gente atura porque ama.
Então quero agradecer a todo mundo que me atura aí pelo mundo afora, são pessoas que acham que vale a pena lhe dar com isso tudo, só porque gostam de mim.
Remo Noronha

PS. Sou meu fã.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Nos dias que vem por aí. Que eu possa...
Ter minhas convicções destruídas para poder repensá-las.
Tentar ser amigo do mundo, para no final só querer ter por perto quem realmente importa.
Ser formado por uma sociedade machista para entender o valor das mulheres de minha vida.
Admitir meus medos, para entender que coragem não é a ausência deles.
Parar de ler um livro fantástico, bem no meio, por saber o quanto me sentirei abandonado quando ele chegar ao fim.
Brincar com meus cachorros e meus amigos.
Emagrecer. (Fala sério?)
Aprender a me calar e ouvir. (Essa é difícil)
Saber que eu preciso ensinar por outros trinta e cinco anos para poder aprender algo, e no fim ter a exata medida de minha ignorância.
Entender o ritmo da dança da vida.
Ficar gripado toda vez que tomar banho de chuva, e voltar a me molhar.
Sonhar a vida inteira por algo material, para quando chegar perto poder desistir da ideia, só porque ela não faz mais sentido.
Lutar minhas batalhas para encontrar a paz.
Jogar de teimoso, que sempre foi minha posição.
Xingar meu time do goleiro ao ponta esquerda, e não admitir que outra pessoa faça isso.
Me calar para não magoar alguém importante, mesmo quando a opinião me pareça totalmente despropositada.
Buscar a verdade, esta flor intangível, mesmo quando não sirva para ninguém.
Tornar um cantinho de mundo um lugar melhor.
Agradecer mais e pedir menos.  
Fazer o sinal de prosperidade Vulcano toda vez que passar por uma porta de shopping que abre automaticamente, mesmo que ninguém mais entenda que isto revela minha profunda fé em um futuro que querem destruir.
Por falar em fé, que esta não seja cega e nem uma faca amolada.
No fim de tudo admitir que ainda pergunto para onde vai a estrada.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015


SOLIDÃO

Quarenta anos no deserto foi o tempo necessário para um povo escravo se transformar em guerreiro.
Mas, o que é deserto? De certo mares e florestas dizem o mesmo, com a força estonteante, perigosa e multimilionária do inconsciente. Só que no deserto nos encontramos estranhos e sós.
Salvem nossas almas, talvez queira dizer aquela última palavra. Só, que só a solidão pode nos preparar para o desafio final. Sob uma árvore encontrou a Maia o Sidarta, mas foi no deserto que Ele encontrou o inimigo.
É melhor estar só.
O perigo é que lá encontramos a nós mesmos. O que nem sempre agrada.
O silêncio, tem me encontrado ultimamente. Temo pelo o que posso dizer. Iconoclasta, aprendi a destruir a santidade nos outros com tanta eficácia, que já não sei se sobra algo sagrado.
Vejo músicas artificiais com sentimentos encomendados, e pouco a pouco tento reconstruir no deserto algo verdadeiro. Uma frase do Exupéry aqui, uma canção dos Beatles acolá, a reafirmação da fé de um amigo em dificuldade além.  Tento oferecer outra face, mesmo quando não acredito mais nas pessoas que empurramos para suas posições no tabuleiro de xadrez, com suas bandeiras manchadas de sangue.
Não se trata de seca literária, justo quando tenho tanto a dizer. Silencio apenas para que minha falta de cera não seja apenas de educação.