segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Olha, você é aquela
Canção mais singela
Que um dia cantei
Quero, ficar bem pertinho
Sentir o carinho que tanto sonhei
E, ao beijar o seu rosto
Sentir o seu gosto me faz flutuar
Não me negue o seu belo olhar
Quero ter perto de mim
Para sempre seu jeito assim
Em meus sonhos, toda noite está
Sua face de tanto luar

Eu vivo só pra te amar

terça-feira, 3 de outubro de 2017

(IN)CERTEZAS

Uma folha em branco deixa de assim a ser quando recebe um carimbo escrito: Em branco.
Se um menino puser uma capa azul ele não vira o super-homem, e caso tenha a infeliz ideia de pular da janela... bem vocês sabem, a lei da gravidade (ainda) não foi revogada.
Quis começar este texto com algumas certezas, pois cada vez menos as tenho.
Não sei se alguém quer me dar um golpe.
Não sei como o universo se organiza.
Mas, posso dizer que tem um punhado gente um pouco mais perdida por aí.
Vi, outro dia um vídeo de um congressista se dizendo preocupado com a colisão de um planeta de nome estranhíssimo com a Terra, e de que forma o Congresso deveria se preparar para o evento.
Caraca! Esse cara não tem uma assessoria mínima? Perguntei a um amigo. Não há ninguém para avisar que ele está pagando um King Kong? Bem... ele disse. Se o cara está perdido assim imagina o naipe de assessores que ele escolhe. Além do mais quem vai correr o risco de bater de frente com a otoridade?
Chega outra informação. Esta já vale a pena. Um cara fez uma pesquisa que delineou que o maior indicador de que alguém vai participar do crime organizado não é a condição social, nem a origem geográfica da pessoa (o que sei de experiência própria, as favelas estão apinhadas de gente decente e trabalhadora!), mas sim da evasão escolar.
O processo seria mais ou menos assim, o guri não vê a escola como uma chance de melhorar de vida, logo se desinteressa. Depois vê seus resultados despencarem. É chamado de burro a torto e direito e direto. Foge da escola. Toca a vida de outra forma.
Bem isso não contempla as falhas de caráter. E elas também existem. Digo ainda que o desempenho acadêmico não tem relação direta com a educação do coração, aquela que outras pessoas preferem chamar de berço. Não uso este termo por entender que há órfãos de bom caráter e filhinhos de papai que não prestam.
Fica ainda a questão que não quer calar, a quem interessa uma escola que não funciona?
Seja como for a escola deveria ser um ambiente acolhedor. E quando assim o é se torna um lugar mágico, mesmo que não seja Hogwarts.
Sei disso porque assim era a Baden Powell, lá em Guadalupe. Guardo com carinho o nome dos amigos: Carlos Alberto (que Deus o tenha), seu irmão, Carlos Augusto, Evandro, Jaceara, as duas Ivanas, Maria, Athaide... Ah! Bons tempos.
Só que não podemos esquecer dos atores principais: eles exigiam disciplina. Contavam histórias. Liam para nós o Homem que Calculava de Malba Tahan ou o Pequeno Príncipe. Desenhavam o mapa mundi, uma célula, um organograma, nos ensinaram gramática e poesia, nos faziam ler Érico Veríssimo. Nos contavam como era o universo, a Terra, e as estações.
Maele, Nolasco, Fernando e o inesquecível Chicão.
Obrigado por não nos deixar pagar mico.
Obrigado por não permitir que a vaidade nos leve a conclusões absurdas, mesmo que a nossa assessoria não nos corrija.
Obrigado por tornar a Baden um lugar melhor que a rua.

Uma geração inteira de Guadalupe agradece.

domingo, 24 de setembro de 2017

SOBRE O BARROS, MARINHO, RICARDO BRANCO, RAMON CAMILO, SIMÃO, PONTES, ALEX VANDER, MAIA, ANÍBAL, WERNER, KEMPERS E PITALUGA.

Esta é uma história a ser contada, ela fala sobre a penúltima equipe com a qual trabalhei antes de ir para a reserva. Há obviamente outros nomes de pessoas que deveriam fazer parte deste título; gente importante cujas decisões influenciaram o rumo da história; gente que sofreu perdas incalculáveis com força, fé e dignidade; gente que orgulhou a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros; gente que pode ter contribuído mais que estes amigos que estou citando aqui, dentre os quais os que deram a própria vida.
Mas como sou eu quem conto, conto sob uma ótica profundamente pessoal, pois só quero falar de meus amigos mais próximos e daquilo que fazemos para lidar com o sofrimento daqueles que juramos ajudar.
Hoje parei o carro e buzinei, falei para o Barros “peraí mermão”. Vejo, emoldurado nesta manhã de sol, o sorriso de sempre, aquele que ele exibe quando não está profundamente estressado porque um fato qualquer não se encaixa como uma luva em seu alto padrão do que deveria ser. Muito diferente daquela noite chuvosa em que pensamos que poderia ser o nosso último dia neste planeta.
Chovia, não, não é essa a palavra. A chuva em Petrópolis pode ter tantas origens formas diferentes que a palavra chuva não contém em seu bojo a mínima semelhança do que estava acontecendo. Do mesmo modo que chamar Petrópolis de cidade é uma pequena sacanagem. Petrópolis é muito mais. Petrópolis é o Brasil em miniatura, com sua história ímpar, sua ocupação improvável, sua pujante natureza, e principalmente com seus palácios  convivendo ao lado de suas favelas.
Me deixa recomeçar.
Caía uma cachoeira do céu.
A nossa viatura tinha algo de poderoso, a tal da L-200 tem o coração de um trator, mas pouco ela pode fazer em um engarrafamento. Faltavam poucos metros para entrada da rodoviária, mas pouco importa, poderiam faltar quilômetros que não faria a menor diferença. Quando nós vimos a viatura da Defesa Civil local. Neste momento eu não sabia ainda o que havia acontecido, se soubesse estaria estupefato com a aparente calma do Ramon Camilo.
“Peixe, dá uma moral para a gente poder chegar até a sua base, soube que vocês estão precisando de reforços”. “Deixa comigo Comando”, ele respondeu. E logo chegaríamos lá.
Fui pensando em todo treinamento que tive para colaborar com a organização de eventos de grande porte. Mas o que encontrei lá foi uma equipe que tinha que engolir o choro para continuar trabalhando.
Três deles não voltaram. Ricardo Correia fora arrastado por mais de um quilômetro em um rio de lama, só a história de sua sobrevivência daria um livro. Fernando e Beto, não tiveram a mesma sorte.
No dia seguinte coube a mim explicar o que havia acontecido para a mãe do Beto. Deveria haver alguma lei que proibisse as mães de passarem por isso. Esta deve ter sido a missão mais difícil de toda minha carreira.
O que fazer quando é o herói quem precisa de socorro?
Decidimos ali naquele momento, que só o nosso trabalho poderia honrar a partida deles, e foi o que fizemos, e não foi pouco. Mas não é disso que quero falar, o que digo é apenas que é bom estar entre amigos quando a coisa está feia. Acho que passamos por dificuldades para saber na vida quem são os nossos amigos. E se muito se perdeu, fica este bem precioso.
Passamos por aquela crise e pelos anos seguintes ralando um bocado, lutando e acreditando que poderíamos tornar aquela cidade uma cidade melhor, e este país um pouquinho melhor.
Em um desses dias de luta nos abraçamos e fizemos uma oração, eu havia acabado de ouvir Fernando na interpretação apaixonada do ABBA, então como parte da oração lhes disse: “Havia algo no ar naquela noite/ As estrelas brilhavam, Fernando/ Elas brilhavam por mim por você/ Pela liberdade, Fernando/ Embora eu nunca tenha pensado no que poderíamos perder/ Não há arrependimento/ Se eu tivesse que fazer tudo de novo/ Eu faria, meu amigo, Fernando.”
Então, parei para respirar e disse: essa música é perfeita, mas só há algo errado: o céu não brilhava! Olhei ao redor e continuei: para que a música fizesse sentido deveria haver estrelas, mas elas existem. São vocês.
Muitas pessoas nos dizem que Deus nos usa para fazer chegar sua mensagem, deve ser, pois foi assim que me senti.
Isto nos deu forças para continuar lutando por mais alguns anos. Os resultados podem não ter chegado nem próximo de nossa ambição, porém mais uma vez não há arrependimento. Vivemos em busca da vitória, mas é a luta que dá sentido à vida.
Sei que este texto não deve ser exatamente o que você esperava, fica ainda uma incoerência do tamanho de um bonde: que raio de título é esse?

Bem... estes são alguns amigos que passaram por essa mesma estrada.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017


Shangri-La
“Lá o tempo espera
Lá é primavera
Portas e janelas ficam sempre abertas
Pra sorte entrar”

Este é um texto sob encomenda, não é o primeiro que eu já fiz.
Havia uma rotina na academia, alguns caras do terceiro ano olhavam as notas nas redações do concurso, e como eu havia mandado bem, me transformei em redator oficial para as namoradas dos amigos.
Naquela época havia inventado um sistema. Escrevia para a minha garota e deixava que adaptassem os detalhes tão pequenos de nós dois.
Se assim o fizesse agora para você, diria que a sua vó tinha uma doçura incomum. Que fazia o seu prato predileto como nenhuma outra pessoa seria capaz. Que lhe esperava até altas horas da noite. Que coçava as suas costas como ninguém jamais o fez. Que zangava contigo de vez em quando. Que a memória dela já não era isso tudo. Só que mesmo assim você nunca viu ninguém tocar a vida com tanta sabedoria.
O resto deixaria por conta de sua imaginação. A moldura estaria pronta, mas a aquarela seria sua. Então você ficaria feliz pelo texto que encomendou, pois é assim que acontece com textos encomendados. Mesmo assim, para lhe impressionar bastava por uma imagem bonitinha, com algum Control C /Control V, e todos estariam felizes.
E estava feito.
Assim são as avós.

Mas ela era mais.
Ela era a Jaísa.

Isto me obrigaria a lembrar a história que ela se divertia em contar de quando me confundiu com doente mental no dia em que fui me apresentar para a família dela.
Teria que lembrar do bolo feito com frutas e do melhor feijão do mundo.
Teria de usar um vocabulário tão particular, que parecia uma linguagem só dela.
Teria que lembrar que ela ligou para o cursinho implorando para você voltar para casa quando lhe colocamos no alojamento.
Teríamos que gritar como loucos naquele jogo do Vasco contra o Avaí.
Teria que ter duas cachorrinhas a seguindo por todos os cantos da casa.
Teria que ter bolo de fubá (ou bolinho de chuva) para quem quer que chegasse.
Teria que cantar uma música da Dalva de Oliveira, e se fosse o Hino ao amor, nos fazer chorar até não haver mais lágrimas no mundo.
Teria que lembrar que quando quebrou o fêmur ela pediu ao médico que antes cuidasse de seu joelho ralado.
Teria que lhe dizer que você foi o último grande amor dela.
Mas, esquece tudo isto.
Só quero lhe contar uma história.

           Em seu ano derradeiro ela veio morar no Carmo com a gente. E como o alemão que deixa todo mundo doido já tinha se enamorado da Jajá, ela achava que estava em Jacarepaguá.
Depois de tentar explicar várias vezes e tintim por tintim que não era bem assim, desisti. Aqui no nosso endereço era a casa dela e pronto!
E tanto gostou da cidade, e do bairro, e dos vizinhos, e da casa, e do quintal, e da rua, e de estar por aqui; que pediu a sua mãe para botar uma placa dizendo simplesmente: Shangri-La.
Tive que me acostumar com o fato de que ela me oferecia um cafezinho quando eu chegava do trabalho, e perguntava se eu precisava de uma toalha ou se eu ia passar a noite. E era assim que ela me fazia me sentir em casa.
Bem é isso.

Esta história ainda não acabou, por que você sequer pegou no pincel para os retoques.  Talvez queira fechar este texto com o cliché de que uma mulher sábia transforma qualquer casa em um lar, ou até levar o que digo assim, meio que sem fim. Afinal como o Cézar lhe disse: viva a Jaísa que vive em você.


sábado, 29 de julho de 2017

Jerry Lewis

Meu maior ídolo na infância e início da adolescência foi um comediante que contava histórias de um modo doce e inocente.
Sei que copiar ele não me transformou no cara mais popular do bairro.
Cansei de ouvir que se eu ficasse calado poderia passar por inteligente,  ou ao menos não daria a certeza a todos do perfeito idiota que sou.
Mas, já estava gravado em meu coração de que quem não faz perguntas idiotas faz coisas idiotas.
O resto é história.

sábado, 13 de maio de 2017


SOBRE MENINAS E MULHERES

Li não me lembro bem aonde, que os gregos acreditavam que a sociedade do Egito era matriarcal, devido a possibilidade de uma mulher poder ser o que bem quiser, até mesmo faraó.
Imagino o que eles diriam se conhecessem a minha família. Sou cercado por mulheres de grande força, energia e coragem.
Minha mãe, e minhas irmãs foram sobreviventes em um mundo improvável, mesmo quando ousaram se posicionar quando tudo ao redor dizia que se calassem.
Minha linda esposa e suas irmãs, cresceram sob a égide de uma mulher lutadora, que educou uma família admirável dividindo o tempo de seus afazeres diários com um maravilhoso dom de fazer bolos deliciosos para toda vizinhança.
Hoje a herdeira deste cetro, manto e coroa; é um tiquinho de gente que se agiganta quando está na ponta do pé, e decidiu morar tão longe em busca de um sonho possível.
Ser pai de uma menina é viver sobressaltado, entre a rotina inconstante, o temor que um rapaz incauto lhe roube um tesouro, e a compreensão de que alguém pode mexer tanto contigo.
Dentre os sorrisos ficam os pedidos improváveis como de uma pizza de “whateveryouwant”, o cantar de uma velha canção dos Bangles, e o espanto de estar na plateia para descobrir que aquelas aulas de balé que eu pagava eram muito mais sérias que sequer poderia imaginar.
O susto mesmo vem quando ela diz que vai sair de casa para tentar uma vida melhor.
Não faça isto, por favor lhe imploro. Seja sempre pequenininha do tamanho de um botão, e me leve mesmo que seja no bolso.
Mas, não! Isto não é assim. Vá à luta! Por que a vitória pertence a Deus, e a luta é o que lhe cabe, honre aquelas que vieram antes, lembre-se do quanto elas tiveram que abrir mão para que hoje uma menina, como você, possa alçar qualquer voo.

Mas, não se esqueça, que tem um prato de comida e um canto para dormir e sonhar, bem aqui. Mas principalmente, não esqueça o quanto é amada. 

sexta-feira, 21 de abril de 2017

12 canções

1.      Todo azul do mar – Beto Guedes – é a música que me faz lembrar de meu maior amor;
2.      A deusa da minha rua – Newton Teixeira – para a minha mãe, e para todas as mulheres que desfilam sua enorme classe para nosso delírio, pobres mortais;
3.      The long and winding road – Paul MacCartney – que é de uma beleza assombrosa, parece que são anjos que fazem o back vocal;
4.      Imagine – Lennon – o mundo será um só;
5.      Make believe it’s your first time – Carpenters – que empata com o Paul no quesito beleza, e cuja interprete, tristemente, nos lembra de como a fama e a psiquê de uma pessoa podem levar a autodestruição;
6.      Bridge over trouble water – na interpretação poderosa, suada e definitiva do Elvis – aqui a minha homenagem aos bombeiros de todo o mundo, que são a ponte sobre os rios turbulentos e ajudam os que mais precisam quando mais precisam;
7.      Skyline pidgeon – acompanhada pelo piano do Elton John – para o meu filho que não cabe mais no ninho.
8.      Eternal flame – The Bangles – para minha filha que combina talento, voz, expressão e dança; antes mesmo de aprender a andar.
9.      Maninha – Chico Buarque – para os meus irmãos e irmãs.
10.   My love – Paul, novamente – para dançar colado, que é o único jeito que sei fazê-lo;
11.   Fernando – ABBA – para que o som dos tambores nos lembrem de lutar, mesmo quando a luta está perdida, pois é ela que dá sentido à vida;

12.   Canção da América – Milton Nascimento – para meus amigos, os irmãos que a vida me deu de bônus.