sábado, 9 de abril de 2022
quinta-feira, 7 de abril de 2022
Erar é umano
Se um dia eu pudesse ver meu passado
inteiro E fizesse parar de chover nos primeiros erros
Tenho
seguido minha vida de desequilibrista entre os extremos de buscar algo melhor e
tentar e deixar a vida me levar por tantos enganos que teimo em cometer.
Enquanto
isso gravar vídeos com aulas tem sido o meu hobby nestes últimos quatro anos.
Saiba, porém, que vídeos são espelhos em movimento que mostram o quanto estávamos
longe de onde gostaríamos.
Seja
como for, chega um momento em que devemos dizer para nós mesmos: “está bom o
suficiente”; então, é o momento de publicar e ir adiante.
Sei
que, como reza o ditado popular, o perfeito é inimigo do razoável. Um aprendizado
que me veio a ferro e fogo. Literalmente. Anos e anos sendo bombeiro nos fazem
entender que o relógio não espera e muitas vezes devermos agir rápido para encontrar
a solução possível, seja ela qual for, até mesmo passar o facão em algum nó
górdio.
A
sala de aula não é muito diferente. Não devemos dar as costas muito tempo a uma
turma de adolescentes, do mesmo jeito que não o faríamos com um mar bravio.
Tudo
isso me faz ter pouca paciência com os teóricos do ar-condicionado, ou com os
sábios de porta de bar. Sem a pressão, a refrega, a marca do pênalti; toda e
qualquer decisão pode ser tomada com sabedoria. Na mesma medida deve parecer fácil
saber o que fazer em um desabamento ou enchente, se você nunca pôs os pés na
lama.
Agora
tudo é diferente, posso regravar (eu não edito) qualquer aula que não me
agrade. O recorde fica por conta da demonstração da maldita fórmula da
hipérbole, que hiperbolicamente, teve que ser refeita não menos do que doze
vezes.
Pior
é quando um aluno comenta algo como: “aquela figura que você chamou de losango não
seria um trapézio?”. Bem. Seria mesmo. É hoje que vou estragar o tal do
algoritmo deletando um vídeo que já foi publicado. Mea culpa, mea máxima
culpa.
Para
evitar isso tenho que rever, e muitas vezes, e de quando em vez detonar algo
que me deu umas duas horas de trabalho.
Tento
dizer para mim mesmo que foi um ensaio.
Vai
gostar de ensaiar assim lá na casa... do chapéu.
O
outro extremo é a paralisia.
Já
que nunca vou consertar de verdade talvez seja melhor desistir.
Lembro
bem como resolvi esse problema quando eu atuava (essa é a palavra certa – todo professor
é um ator) nas salas de aula da vida.
"Galera, eu erro mesmo, se eu fizer alguma besteira aqui me avisa que a vida segue".
Sei que isso, contudo, é algo raro. Demanda uma tremenda humildade para ter
essa postura, e somente anos de magistério me levaram a essa posição. Antes era
mais fácil por a culpa no giz, ou dizer que só estava testando a turma.
Mas
até que ponto podemos nos permitir errar?
Nas
videoaulas procurei traçar uma linha vermelha ao redor do seguinte conceito; se
o que houve foi um lapso, um erro de digitação ou de contas, e durante o
próprio vídeo eu percebo, peço desculpas e corrijo o processo - tudo bem. Faz
parte do show. Todavia se o erro é conceitual ou pode trazer alguma confusão
mental àquele que está aprendendo; a tecla escrita DELETE está logo ali no
canto superior direito.
Isso
tudo leva ainda em consideração de que não aprendemos tudo que nos chega, do mesmo
modo não ensinamos tudo que gostaríamos. Espalhamos migalhas de pão na trilha
esperando que alguém as siga e de preferência não leve a casa de alguma bruxa.
Pode
parecer ser um critério simples. Só que não! Está muito longe disso. Entre me perdoar
pelo que faço e buscar o Santo Graal vivo tropeçando aqui e ali.
Para
viver tudo isso é ainda muito mais complicado, muitas vezes não conseguimos
distinguir entre o que é preciso e o que é preciso. Ou melhor entre o que é exato
e o que é necessário. Mas essa resposta, pelo menos, o Fernando Pessoa já deu.
quarta-feira, 6 de abril de 2022
Você está sempre em minha mente
Maybe I didn't treat you
Quite as good as I should have
Maybe I didn't love you
Quite as often as I could have.
Vejo o vídeo do Elvis contando sobre seu amor (perdido)
pela Priscilla. Ele estava obeso, com olhos caídos, voz trêmula. Mesmo assim
era genial.
Não adianta eu tentar fazer aulas de canto,
aprender a tocar violão, projetar isso para quando era jovem, estar no melhor
de minha forma física, jogar em São Januário, comprar a arbitragem, conseguir a
melhor indicação midiática que o dinheiro possa comprar, ou qualquer outra
vantagem que eu possa imaginar. Ele é (no presente, pois não morreu) o Elvis e
eu sou eu.
Entendo muito bem disso, desde que vi o
Garrinha jogar no Olaria pelos idos de 1972.
Gênios são gênios.
A grande diferença é que eu fiquei com a garota,
o Elvis não!
Entretanto nem disso posso me orgulhar.
A garota ter ficado depende muito mais dela do
que qualquer outra coisa.
Deveriam escrever um tratado sobre a semelhança
entre a manutenção de um relacionamento com o processo de perda, a saber:
I – Negação;
II- Raiva;
III- Tristeza;
IV – Barganha; e
IV- Aceitação.
Cada um desses itens ou seus conceitos diametralmente
opostos povoam os relacionamentos, até porque se homens vêm de Marte e mulheres
de Vênus há uma chance enorme de que os casais se percam em algum cinturão de asteroides
com consequências trágicas.
Olha que não estou falando de nada patológico,
tipo caras que acham que o Nelson Rodrigues estava certo ao dizer que mulher
gosta de apanhar; ou ainda qualquer pessoa que tente justificar salários
menores para as meninas por qualquer motivo que seja; ou ainda pensar que seja
errado elas desprezarem homens só por causa da orgia; e ainda por cima gostar a
ponto de se enroscar de dizer que a parte mais fraca é a mulher.
Falo apenas do meu cantinho do mundo, de onde
fui criado para ser irremediavelmente machista, a ponto de pensar que meu falo
cairia no chão se eu ousasse lavar um prato.
Pelo que sei uma tábua suja de urina ou um par sapatos
cheios de lama bailando na sala, ou a incompreensão de que a responsabilidade
de cuidar de uma casa é mútua; são fatos que estragam as melhores histórias das
princesas da Disney.
Imagino que estas questões do dia a dia não devem
ter dado fim ao relacionamento do casal famoso, pois eles tinham muito mais que
o suficiente para que outras pessoas fizessem tudo isso por eles. Nem assim ele
foi capaz de cuidar de sua garota.
Uma pontinha, injustificada, de orgulho me
assalta nesse exato momento e penso que pelo menos nisso sou um cara melhor. Portanto,
não tenho que ficar por aqui gastando meu latim dizendo que eu deveria ter me
aprimorado no processo.
De certa forma, foi exatamente isso que
aconteceu. Homens têm, em geral, duas chances de serem educados pelas mulheres.
Uma vez pela mãe e outra pela esposa. Não há uma terceira chance que não venha
sem alguma dor, mesmo que o bacana tenha uma filha.
Talvez, só talvez, a grande chance de não ver
sua nave explodir na colisão com algum asteroide seja a nossa capacidade de
perdoar, tanto um ao outro, como a si mesmo. Pois os relacionamentos com todos os processos adjacentes de euforia, negação, alegria, barganha e aceitação devem ser vividos de
um modo pleno e honesto.
Mesmo assim tudo pode dar errado.
Como tudo que é humano.
Então se você tem alguém com quem dançar coladinho
com a voz do Elvis lamentando seu amor perdido faça o que digo: Jogue suas mãos
para o céu e agradeça. Seja na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de
sapê.
segunda-feira, 4 de abril de 2022
Pretty Woman
Quem me dera ao menos uma vez
Como a mais bela tribo
Dos mais belos índios
Não ser atacado por ser inocente
Não
são poucas pessoas que me perguntam sobre minha suposta facilidade para
escrever, muitas delas são das mais altas prateleiras no que tange ao
conhecimento de uma ou mais línguas. Fico doido para mentir e dizer que
simplesmente escrevo. Como se o que grafo nunca fosse, de mim, arrancado a
fórceps sob tremendo custo emocional. Como se o que digo não tivesse uma
técnica simples desenvolvida nessas terapias que chamo de “lápis sobre o
papel”.
Então
vou começar com o básico: meu jeito de escrever.
Penso
em três assuntos, busco as conexões e tento surpreender quem lê com uma
conclusão que não seja absurdamente óbvia (o que nem sempre consigo – se isso não
acontece me contento em tirar o leitor para dançar).
Um
exemplo de três temas está quicando na minha cabeça agora:
1.
Uma breve história de como conheci três índios;
2.
A vocação dos bombeiros a oferecer
santuário; e
3.
A (in)tolerância ao que é diferente.
Lá
para o final da década de 80 eu servi, como Tenente do Corpo de Bombeiros, à
comunidade de Nova Friburgo. Lá um dos maiores aprendizados que tive foi o fato
de que não são só igrejas que servem de santuário. Diversas vezes acolhemos
pessoas em situação de total estresse, viajantes dos cantos mais longínquos,
mulheres que temiam violência de todo tipo, profissionais que estivessem de
passagem, equipes de outras instituições, animais de rua... a lista é infinda.
Fazíamos
isso com tal naturalidade que nem parecia ser algo grandioso, ou simplesmente
bacana. Havia um refeitório que estava quente em pleno inverno e é pecado jogar
comida fora.
Com
esse espírito é que tive a oportunidade de travar um breve contato com índios
que vieram a nossa cidade. Entre nós houve uma dificuldade inicial de
expressão, pois seu líder não falava português e os outros dois eram um pouco
mais jovens que eu mesmo era, portanto não se sentiam totalmente seguros em sua
missão de expressar suas necessidades.
Em
resumo, o que entendi de seus anseios é que eles se sentiam atacados em suas
próprias terras e queriam mostrar nas grandes cidades um tanto de sua cultura e
de seu valor, para tanto careciam de algum acolhimento.
Meu
comandante na época, um oficial que tem um coração do tamanho de um bonde, não se negou a lhes oferecer abrigo e um prato de comida, nas duas semanas que
eles se propunham a passar pela cidade. Como eu era o oficial de dia quando
eles chegaram acabei me tornando uma espécie de contato diplomático.
Durante
o dia eles ficavam na Praça Getúlio Vargas, onde hábil e rapidamente
construíram uma oca. A noitinha voltavam para se alojar no quartel. Assim
começamos a conversar, o que logo se transformou em confiança e o início de uma
bela amizade.
Os
rapazes começaram a me ensinar algumas palavras em seu idioma, das quais só me
lembro de algo que ousarei grafar aqui como PEON WENDY, o que entre muitas
risadas me deu a chance de saber algo muito importante: MULHER BONITA! Depois
de muito rir, voltei para o meu alojamento tentando encaixar a frase na letra
de PRETTY WOMAN.
Procurei
tirar o máximo de aprendizado daquela situação e passei boa parte tempo que
meus outros afazeres permitiam para aprender um pouquinho mais do que eles
tinham a nos oferecer. Eu estava justamente começando a aprender inglês e tive
a percepção de que somente a existência de uma linguagem própria deveria ser
motivo para recebermos a sua delegação com pompa e circunstância, sem perder de
vista de que neste contexto o estrangeiro era eu.
Tudo,
todavia, foi destruído de repente. Em uma noite fui chamado para combater um incêndio
no Centro da Cidade. Era a oca.
Em
ato contínuo levei-os para a Delegacia para registrar queixa-crime.
Esse
foi um dos dias mais tristes daquele meu início de carreira. Os olhos do chefe não
transpareciam a dor de quem representava um povo que resistiu a tantos males. Grilhões,
gripes e grileiros; e todas outras coisas que invasões trazem.
Encerro
a nossa conversa tentando resistir ao maniqueísmo óbvio de tentar atribuir o
incêndio criminoso a pura maldade, e ponho tudo isso na conta da ignorância. Quem os conheceu como eu, jamais seria capaz
de tal ato, comum a quem despreza o outro e não reconhece a sua condição humana.
A única alegria que me restava foi o fato de que eles não estavam na oca no
exato momento em que alguém deve ter achado divertido queimar mais três índios.
Eles estavam seguros em um lugar com tremenda vocação para santuário.
quinta-feira, 31 de março de 2022
RUÍDO
Em homenagem Isaac Asimov que contaria
essa mesma história com muito mais precisão, simplicidade e beleza.
É
maravilhoso reler os grandes mestres, o problema é perceber o quanto escrevemos
mal comparados a eles. Por exemplo, acabei de me deliciar com um pouquinho do
Asimov ontem à noite. Justo quando tinha um texto prontinho para contar para
vocês. Então o velho russo me visita em sonhos, bate no meu ombro e diz
solenemente: “é assim que você escreve, senhor Remo, pensei que nesta altura já
saberia que o que mancha o papel fica, e daqui a algumas décadas ninguém vai
saber o que queria dizer".
O
pior de tudo é que ele não deixou nenhum roteiro, algo parecido com as três
leis da robótica, que pudessem guiar minhas mãos enquanto os dedos quicam no
teclado.
O
jeito é tentar explicar para você que vai ler isso aqui daqui há dez anos, ou
mais.
Aqui
do passado o que conto ocorreu enquanto ainda havia coisas como: telefone, 3G,
área de cobertura de operadoras de celular, telemarketing, entre outras coisas
que tornavam a comunicação truncada, cheia de chiados; ou melhor: algo próximo ao impossível.
Nesse
contexto recebo uma ligação o celular vibra em rubro: CHAMADA DE SPAM. Mesmo
assim resolvo atender. Ouço do outro lado algo que através da estática soou como:
“Casa das Pedras, é aí que temos que entregar o ferro?”. Respondo que não, e
que não havia comprado nada de material de construção (lembre que do
espaço-tempo em que escrevo havia uma tecnologia chamada alvenaria – o que é
difícil de explicar pra cacete, ou seja deixa para pesquisar no seu computador
quântico depois).
Três
minutos depois a ligação se repete: será o Benedito! “Estou ligando para o ddd
(pesquisa depois – eu já disse!) certo? Estou querendo entregar o ferro”. Quase
mandei posicionar o metal em um local adequado, com uso opcional de lubricantes, entretanto apenas digo que a
ligação foi repetida.
A
rotina volta ao normal e, depois de alguns outros pequenos contratempos entro, com
minha esposa, no meu carro (um veículo a combustão fóssil guiado manualmente)
recebo a terceira ligação do mesmo número: “amigo me desculpe, seu nome é Reno ou
Breno Nogueira? A letra aqui tá horrível e eu preciso entregar o ferro. Sabe
como é a caneta (pesquisa aí...) tá falhando, meu chefe disse que se eu não
entregasse o ferro de passar, já sabe né? Vou ter que pagar do meu bolso”.
A
Aninha responde: “moço pode ficar tranquilo, a tarde passo aí para pegar o
ferro”. Logo ela me explica que deixou o ferro de passar roupas (nem tente
entender), em uma loja chamada Casa das Peças, para reparos.
As
moléculas de ferro contidas nas minhas hemácias correram desesperadamente para
o meu rosto (elemento de número atômico 26 – células anucleadas responsáveis pelas
trocas gasosas) em uma reação humana comum diante de tamanha vergonha. Espero
que pelo menos isso lhe seja compreensível diante de tantas informações obsoletas.
Tem sido deste modo desde
tempos imemoriais; pois tenho certeza de que, assim como Asimov, Ilíada não vai
sair de moda tão cedo. Afinal certas coisas da natureza humana simplesmente não
mudam.
sexta-feira, 11 de março de 2022
Tradutores, traidores e poetas de pé torto
Uma das primeiras coisas que quem está aprendendo inglês faz é falar que as legendas de um determinado filme estão erradas. Algumas estão mesmo. Porém, vocês já pararam para pensar qual é o tamanho do desafio? Inglês é falado muito mais rápido e o pobre do tradutor tem um número limitado de caracteres para usar em cada fala para caber na tela, que ainda por cima deve ser sincronizado com a personagem. Então, me sinto a vontade de dizer: algumas vezes simplesmente não dá.
Vamos por isso em outra perspectiva. Algo que só
poderia acontecer na ficção, em um país imaginário que vou chamar de...
Timoley-Moley, onde havia uma terrível ditadura, mesmo assim, por um motivo
improvável decidem pôr um professor no cargo de Ministro da Educação. Em uma
situação complicada um repórter lhe pergunta como algo estranho poderia estar
ocorrendo em seu ministério. O professor ciente de sua precariedade diz: “Eu não
sou ministro, eu estou ministro”.
Se vira ai espertinho e me diz como esta frase fica em
inglês.
Resumindo: tradutores são sempre traidores, pois não
se pode ser fiel a língua e a ideia ao mesmo tempo, ao se transladar o
pensamento que flui entre culturas diferentes.
Outra coisa é navegar nas águas agitadas da minha aversão
a versões.
Nelas “remember” de “Hey Jude” pode se transformar em
esqueça. Podemos ser lembrados de que o que é imortal não morre no final. Ou ainda
você pode se encontrar em “Xalou” com alguém, seja isso lá onde for.
Obviamente nada impede de, em um raro momento, ouvir o
Beto Guedes realmente traduzir toda beleza de “’Till there was you” . Ou ainda
um vento que passou na voz de Verônica Sabino, salvar uma letra mequetrefe dos
Beatles.
O fato é que, muitas músicas ficam melhores se não
forem traduzidas, como no caso de “Build”, que já incentivou muito dois pra lá
e dois pra cá, ser uma letra que conta como construir uma casa. Ou a melhor de
todas: ver o casal romântico em um beijo capaz de desentupir uma pia ao som de “Rock
and roll lullaby”, cujo tema são as agruras de uma jovem mãe solteira.
Mesmo com todos os avisos corri o risco a ver a letra
de The Blower's Daughter, de tanto que me perturbaram para saber o
paradeiro do vendedor de flores e o que ele ensina aos seus filhos.
E me deparei com esse trecho ai:
“Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?”
No qual a mulher amada responde ao poeta:
“Te disse que te desprezo?
Te disse que eu queria deixar
tudo para trás?
É simplesmente algo como o VAR anular um golaço. Pois nesse
contexto o tal do eu lírico é só mais um macho perdido, insensível ao fato de
que a fila andou.
Lá vem pitaco! Doravante passo a cantar esse trecho
assim:
“Did I say that I
love you?
Even though, that I want to
Leave it all behind?”
Que por sinal cabe direitinho na métrica, até porque a
poesia tem asa ritmada.
Isso tudo, no entanto, será mais uma vez uma traição.
Aproveitando a metáfora da terrível arbitragem e seus desmandos futebolísticos.
O que temos é um jogo decidido no tapetão.
Deixo então, a missão de não ser alegre nem triste
para quem é poeta de verdade.
sexta-feira, 4 de março de 2022
RUMO
Joguei fora réguas, compassos, bússolas e astrolábios
Leme e remo dissonantes
Impreciso como navegar
Sigo as linhas magnéticas de um campo invisível.
O arrepio da pele
O suor dos poros
O sentido, sentido, pelos pelos
O som agudo dos apelos
A dor grave dos atropelos
A luz que reflete em seu olhar.