domingo, 11 de janeiro de 2026

CIÚMES DE AMORES, AMIGOS, CÃES E VIOLÕES

 O bardo definiu o ciúme como um monstro de olhos verdes. O que, obviamente não justifica (nem de longe) a ideia de que algum cara tóxico queira tratar uma garota como propriedade. Nem mesmo considero isso como o tal do tempero do amor. Ciúme tem tudo para ser destrutivo. Porém como qualquer sombra o irmão coxo do amor se revela com a força da criatividade.

Do alto de meus 60 fico tranquilo para dizer que cheguei a esse ponto depois de ultrapassar trancos e barrancos, afinal aquela que chamo de meu amor é simplesmente adorável, e na letra dos Beatles que diz And I love her é declarado como todos os efes e erres que se você a conhecesse também a amaria. É lógico, que digo isso depois de várias vezes me interpor entre ela e um engraçadinho qualquer.

Sigo após ouvir que não devemos projetar sentimentos humanos aos animais. O que é mais fácil dito do que vivido. Basta ter uma pinscher de 14 anos e uma labralata, labradoida de 8 para entender que não faz muito bem a saúde da pequenina se eu fizer qualquer gesto de afeto que possa ser detectado pela aquela máquina de correr no quintal.

Vou ainda adiante, e tomo emprestado o espírito de José Mauro de Vasconcelos que dá vida aos seres que vieram das árvores. Assim o digo por ter três violões: O Dada de cordas de nylon, velho de guerra que laranja como é. traz a paciência e a tranquilidade de quem sabe ser um guia espiritual. Logo a ele se juntou o Fênix, um cabra macho pra valer, folk com cordas de aço, sonoro e de presença marcante. Eles até que se entendiam bem, sabendo certinho quais música pertenciam a cada um deles. Então chega em minha vida a Luna, cordas de nylon cantando bossa e mpb como uma verdadeira profissional. Resultado: do nada o Fênix, sem explicação nenhuma decidiu começar a trastejar.

Logo vou levar ele pro Marceu, que certamente, terá alguma explicação técnica para o ocorrido. Entretanto, nada vai me abalar diante da convicção de que o violão grandão teve um ataque de ciúmes.

Nisso ligo para o meu filho para contar o corrido na presença do Rollem, que sem cerimónia nenhuma me rouba o celular e começa a se divertir na linguagem cifrada própria dos engenheiros. Coloco meus óculos escuros para esconder os raios laser verdes espero um pouquinho para conversar com ambos em separado para dizer o que um deveria ser o padrinho do outro. Eles respondem em uníssono: Será uma honra!

É assim que a história se resolve, no laço de meus dois melhores amigos. Afinal a amizade é (ou deveria ser) o amor sem ciúmes.

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