quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

A PRESENÇA DA AUSÊNCIA

 Assim como nos diários que eu odiava preencher a vida aconteceu logo de manhã com uma extensa lista de chamada. Começou com um vídeo bem bacana que meu irmão mandou, nele a banda da Polícia Militar tocou uma linda canção de Natal de um dos Beatles. A segunda é o revisitar do Percy Jackson, no estilo leia o livro, ouça o áudio book e veja a série. Esse é o momento de impressionar minha namorada por saber os nomes dos personagens antes mesmo deles dizerem a primeira fala. Nesse meio tempo tento ler as aventuras de Perseu para salvar Andromeda, em uma revista antiga sobre mitologia.

De tudo o que mais me chamou a atenção não foram essas inusitadas presenças, mas sim as ausências.

Para começo de conversa a canção não vinha do Lennon, que poderia aparecer na versão de Simone, aquela obra que poderíamos adorar se não fosse a superexposição. Sei bem que então é natal, mas quem veio foi Harrison e seu Sweet Lord, isso marca a segunda ausência: a das meninas da banda The Chiffons, que o mais jovem Beatle, intencionalmente ou não, plagiou. Essa ausência em particular poderia passar em brancas nuvens, afinal quem liga para o que dizem mulheres negras?

Não reclame da pergunta retórica. Aqui vai a resposta: o Paul. Como essa história merece ser pesquisada eu apenas vou dizer que faça o possível para saber o que inspirou ele para escrever Blackbird.

Como é época de festa há de se esperar outras ausências, como a de Krishna na voz do sargento. Essa é fácil de explicar: como foi executada em um templo cristão o hare, hare convenientemente desapareceu das partituras. Afinal não estamos tão ecumênicos assim.

A última ausência que percebi foi na revista. Parece que as meninas não têm sido convidadas para dar o ar da graça, em especial se tratando de uma bruxa. Porém antes de eu explicar, Já parou para pensar como seria Romeu sem Julieta, o Vagabundo sem a Dama ou Neo sem Trinity? Pois é, Medea não apareceu mesmo, desse modo a vida de Perseu deixaria de ser uma tragédia (grega).

Parando para pensar que essa história é milenar pode até ser que o finalzinho água com açúcar faça sentido. O tempo se encarrega de tornar tudo irrelevante. E Medea só pediu por mais um dia.

Remo Noronha

PS. Por falar em ausência a banda ficou sem baterista.

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