Ele me liga e quando entro na chamada de vídeo percebo que ela é compartilhada. Nela junto de meu filho está minha nora, aquém do oceano minha esposa e os pais de minha nora. Estamos como que em casa. Há alguns anos este tipo de reunião ocorreria ao vivo e a cores. Hoje nem o Atlântico pode nos afastar.
Na mão de meu molequinho está sendo exibido algo que demorei um bocado para entender do que se tratava, só não digo que a ficha demorou a cair por temer que essa expressão denuncie a minha idade, o que de imediato me transformaria em uma espécie de vovô.
Finalmente entendo o que está ocorrendo. Outra coisa determina que finalmente sou progenitor (além do uso dessa palavra que só velho entende), e não é o cartão de estacionamento que permite usar algumas vagas preferenciais. Se trata, de fato, do resultado de uma ultrassonografia.
Em minha vida já presenciei alguns atos de coragem, coisa de bombeiro. Então cabe ressaltar o que é coragem de verdade: não a ausência do medo – que em última análise é o instinto de preservação evitando que sejamos extintos. Coragem é o fazer. É compreender o necessário apesar do medo. É Arjuna não fugindo da luta para encontrar o dharma.
Dentre esses atos está lá no topo da alma humana, outro, que também é de esperança. O criar e o recriar. Nesses momentos sombrios em que o mundo diz que não, o amor se multiplica em um monte de células que juntas não passam muito de 6 cm. O que sequer pode ser significativo em uma das medidas fundamentais do sistema internacional, mas ao se juntar ao tempo e a massa trazem ao universo um brado retumbante que nos põe no meio do caminho entre o ínfimo e o infinito.
Dois de meus maiores amores se prepararam, se esforçaram, se organizaram, se amaram. Tudo isso foi feito para nos trazer uma nova vida.
Que Deus os abençoe a todos, uma criança sempre é uma ótima notícia que traz muita esperança e fé nos dias que viram. Parabéns Chico e Raquel.
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