quarta-feira, 2 de setembro de 2026

RESPEITA (SÃO) JANUÁRIO

O maior sanfoneiro de todos os tempos desse país não esqueceu. Também não esqueça: não importa o quanto ele fosse capaz de fazer mágica ao invés de simples música.. Então fez questão de registrar que o que tantas vezes ouviu nos bailes de sua juventude: Luiz, respeita Januário.

Os oito baixos dele ainda não se comparavam os de quem veio antes. Anos se passam e lá veio Gonzaguinha, dono de uma poesia engajada com a cara de um Brasil capaz de vencer os anos de chumbo.

Sei que você é todo amor, mas lembre de que a base do caráter é a mesma do caratê. Pés sólidos no chão antes de qualquer defesa. Ao chegar no tatame nós cumprimentamos a tudo e a todos, desde os mestres até o adversário.

Sobre amor e respeito vou rememorar de duas histórias.

Um dia, adolescente, você fingiu prestar continência ironizando meu jeito nada delicado; então lhe disse que você não tinha obrigação de fazê-lo. Afinal você não era militar, mas se o fizesse que olhasse em meus olhos, estufasse o peito e lembrasse que verdadeiros heróis já me prestaram continência.

Outro dia estivemos diante de daqules que poderiam facilitar seu caminho. Recusei, pois tinha certeza de que juntos superaríamos isso tudo. E você cumpriu sua parte com tamanho heroísmo que hoje eu que lhe presto continência.

No fim tudo vai dar certo, o espelho não se quebrou.

Um dia espero que conte tudo isso a seu filho, e se ele tiver alguma grande alegria para te contar, que o faça em São Januário.

Nenhum comentário:

Postar um comentário