O maior sanfoneiro de todos os tempos desse país não esqueceu. Também não esqueça: não importa o quanto ele fosse capaz de fazer mágica ao invés de simples música, alguém esteve antes. Então fez questão de registrar que o que tantas vezes ouviu nos bailes de sua juventude: Luiz, respeita Januário.
Os oito baixos dele ainda não se comparavam os de quem
veio antes. Anos se passam e lá veio Gonzaguinha, dono de uma poesia engajada
com a cara de um Brasil capaz de vencer os anos de chumbo.
Sei que você é todo amor, mas não se esqueça de que a
base é a mesma do caratê. Pés sólidos no chão antes de qualquer defesa. Lembre-se
também que ao pôr o pé no tatame nós cumprimentamos a tudo e a todos,
desde os mestres até o adversário.
Sobre amor e respeito vou lhe lembrar de duas
histórias.
Um dia, adolescente, você fingiu prestar continência ironizando
meu jeito nada delicado; então lhe disse que você não tinha obrigação de fazê-lo.
Afinal você não era militar, mas se o fizesse que olhasse em meus olhos, estufasse
o peito e lembrasse que verdadeiros heróis já me prestaram continência.
Outro dia estivemos diante de autoridades que disseram
que você poderia ser cadete. Recusei, pois tinha certeza de que juntos superaríamos
isso tudo. E você cumpriu sua parte com tamanho heroísmo que hoje eu que lhe presto
continência.
No fim tudo vai dar certo, o espelho não se quebrou.
Um dia espero que conte tudo isso a seu filho, e se ele
tiver alguma grande alegria para te contar, que o faça em São Januário.
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