segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Avaliações


Para Paulo, Eduardo e Correia

 Já estive aqui para lembrar que a origem de trabalho e tripalium vem de um mesmo ramo evolutivo. O que coloca ambos na condição de instrumento de tortura medieval. Você aí no outro lado desse blog pode estar pensando “Ué, então onde fica o conceito de que o trabalho enobrece?” No mesmo lugar de outra palavra: fidalgo. Quem é nobre nasce nobre. Não importa muito se você comprou um iate (aproveita que hoje em dia paga menos imposto que um saco de arroz).

Nesse caso a palavra é outra: estigmatizado. Essa é explicada por uma história. Ao ser admitido no exército romano, o soldado (pago em sal) recebia uma tatuagem com sua identificação e legião. Se fosse bom nisso poderia chegar até a general. Alguns até mesmo viraram imperadores. Só que ao chegar na Corte havia um estigma que demonstrava que aquele cara não era dali.

Hoje em dia os sinais podem parecer mais sutis. Mesmo assim há quem trabalhe e há quem lucre (mesma origem que logro). Se alguém está no lugar errado logo aparenta, pelo menos é o que diz Michel Alcoforado. Por exemplo, rico não fala com quem o serve. Ou seja, logo eu seria desmascarado.

Assim coleciono amigos que se sentem mal por não terem chegado. A pergunta é: chegar aonde? O piloto da aeronáutica, hoje em dia é professor. O professor universitário, leciona no PRTEVEST. Um monte de amigos sonhava em ser bombeiro, enquanto eu mesmo nem pensava em sê-lo.

O lance é que vira e mexe a gente é gente grande e nem percebe. Eduardo do horto lá de Carmo ia nas matas, pegava sementes e fazia mudas. Eu que era chefe dele só entendi a grandiosidade do que fazia quando vi dois doutores da finada FEEMA se emocionarem como trabalho dele.

O cara que queria ser piloto é um professor genial e um das pessoas mais gentis (o que é a marca dos grandes mestres) que já conheci. O que queria ser professor abre as portas para um monte de gente como a gente chegar ao ensino superior.

Digo a todos os personagens desse texto para olharem para um espelho e finalmente entenderem que eles, simplesmente, não cabem na moldura. Lembro a eles que a primeira caracterização de uma avaliação é saber a intenção do avaliador. Portanto, deveriam deixar de lado as expectativas da sociedade e medir a grandeza através do meu olhar.

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