segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

MEGA DA VIRADA

 A música diz algo mais ou menos assim “Etelvina (caraca, não tinha nome pior?) acertei no milhar, ganhei 500 contos, não vou mais trabalhar”. Na qual Moreira da Silva nos diverte dizendo como sua vida poderia ser bem diferente se tirasse a sorte grande.

Sorte grande que minha mãe persegui a vida toda, sem considerar o quanto era sortuda por simplesmente sobreviver tendo batido de frente com a repressão tantas vezes. Já minha sogra (ou melhor uma de minhas tantas mães) tinha um sistema que misturava sonhos e sequências para acertar no bicho, algo do tipo “avestruz puxa camelo”.

Bem poderia começar essa crônica cantando “sonhar com anjo é borboleta...” ou ainda “deixei em cima do rádio uma nota de 50, faz a feira joga no bicho vê se aguenta”.

Caso quisesse seguir com a cultura cinematográfica poderia muito bem ir de Rain man, ou 007 em um dos tantos filmes no qual ele passa por um cassino, voltando a música ir de ABBA na busca de um homem rico ou tentar a sorte em Vegas ou Monte Carlo.

Enfim, isso tudo está tão arraigado na cultura que fica bem difícil explicar por onde ando que não jogo, ou participo de sorteios, por princípio.

E quais são esses:

1.      Matemático – quem ganha com o jogo é a banca.

2.      Político – um dos (talvez o pior) males da humanidade passa pela ganância e pela desenfreada acumulação de renda – ou seja – alguém pode até achar bonitinho que haja bilionários por ai, mas para mim eles são um tapa na cara de todos que passam fome.

3.      Psicológico – Sou compulsivo e me viciaria em jogo na primeira oportunidade.

4.      Economia popular – se sobra grana para as bets, falta para os miseráveis que jogam tudo o que têm.

5.      Tenho coisas melhores para fazer.

Poderia acrescentar que cassinos não têm a mínima graça. É só um monte de velho agarrado em máquina caça níquel. Bingo, então, nem se fala. Entretanto há toda uma mística ao redor do assunto. Todavia, basta ver qualquer filme de Hollywood (não por um acaso – marca de cigarro) da década de 50 para enxergar a mesma relação com o fumo.

Enfim, chego a conclusão de que a jogatina só pode dar errado a longo prazo. Sei que falar sobre isso me coloca na fila de ser o chato de plantão, desse tipo de pessoa que sai por aí arrotando regras e apontando dedos. Só que não precisa muito para saber que no fim desse jogo (que inclusive rola por aí com bets patrocinando times) o resultado não pode ser bom.

É uma dessas situações nas quais eu odeio estar certo.

Olha que conforme vou ficando velho, tenho acertado cada vez mais. Só não acerto na loteria, até porque eu não jogo.

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