A música diz algo mais ou menos assim “Etelvina (caraca, não tinha nome pior?) acertei no milhar, ganhei 500 contos, não vou mais trabalhar”. Na qual Moreira da Silva nos diverte dizendo como sua vida poderia ser bem diferente se tirasse a sorte grande.
Sorte grande que minha mãe persegui a vida toda, sem
considerar o quanto era sortuda por simplesmente sobreviver tendo batido de
frente com a repressão tantas vezes. Já minha sogra (ou melhor uma de minhas
tantas mães) tinha um sistema que misturava sonhos e sequências para acertar no
bicho, algo do tipo “avestruz puxa camelo”.
Bem poderia começar essa crônica cantando “sonhar com anjo é
borboleta...” ou ainda “deixei em cima do rádio uma nota de 50, faz a feira
joga no bicho vê se aguenta”.
Caso quisesse seguir com a cultura cinematográfica poderia
muito bem ir de Rain man, ou 007 em um dos tantos filmes no qual ele passa por
um cassino, voltando a música ir de ABBA na busca de um homem rico ou tentar a
sorte em Vegas ou Monte Carlo.
Enfim, isso tudo está tão arraigado na cultura que fica bem difícil
explicar por onde ando que não jogo, ou participo de sorteios, por princípio.
E quais são esses:
1.
Matemático – quem ganha com o jogo é a banca.
2.
Político – um dos (talvez o pior) males da
humanidade passa pela ganância e pela desenfreada acumulação de renda – ou seja
– alguém pode até achar bonitinho que haja bilionários por ai, mas para mim
eles são um tapa na cara de todos que passam fome.
3.
Psicológico – Sou compulsivo e me viciaria em
jogo na primeira oportunidade.
4.
Economia popular – se sobra grana para as bets,
falta para os miseráveis que jogam tudo o que têm.
5.
Tenho coisas melhores para fazer.
Poderia acrescentar que cassinos não têm a mínima graça. É só
um monte de velho agarrado em máquina caça níquel. Bingo, então, nem se fala. Entretanto
há toda uma mística ao redor do assunto. Todavia, basta ver qualquer filme de
Hollywood (não por um acaso – marca de cigarro) da década de 50 para enxergar a
mesma relação com o fumo.
Enfim, chego a conclusão de que a jogatina só pode dar
errado a longo prazo. Sei que falar sobre isso me coloca na fila de ser o chato
de plantão, desse tipo de pessoa que sai por aí arrotando regras e apontando
dedos. Só que não precisa muito para saber que no fim desse jogo (que inclusive
rola por aí com bets patrocinando times) o resultado não pode ser bom.
É uma dessas situações nas quais eu odeio estar certo.
Olha que conforme vou ficando velho, tenho acertado cada vez
mais. Só não acerto na loteria, até porque eu não jogo.
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