quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Medusa is a strange Thing

É bem difícil que o streaming lá de casa passe algum filme de terror. Nunca fui muito fã. É lógico que na adolescência me imaginava vendo um ao lado de uma potencial namorada, enquanto eu a abraçasse para conter bravamente seu medo. Isso acabou causando algumas tentativas para me acostumar com o gênero.

É lógico que a tal oportunidade nunca aconteceu. O pesadelo era simplesmente não ter namorada nenhuma, o que hoje em dia me transformaria na presa ideal, mas não do Freddy Krueger ou do massacre da serra elétrica, mas sim da mansfera e seus red pills. O que ainda vai virar tema de algum texto futuro.

A coincidência (algo no qual tenho dificuldade de acreditar) é que estou vendo Stranger Things com minha namorada e (re)lendo revistas sobre mitologia grega. Deixe que eu refraseie: A sincronicidade é que... (bem o resto você já sabe - ando meio cansado dessa coisa de copiar e colar).

Nesses dois processos há algo ausente: o medo. Seja este de que um monstro que representa a figura de uma mulher superpoderosa diante da qual me faça sentir petrificado, ou de um mundo paralelo onde um cientista russo (o que você esperava em uma série norte americana?) crie um ser pavoroso capaz de habitar os sonhos, ou ainda, o pior de todos: passar a vida sem ter uma namorada.

Aqui cabe celebrar o fato de ter chegado a velhice. Essa me despe de boa parte de minha força física, porém compensa com sobras através de aumento da mental. Finalmente posso ver na tela com mera curiosidade e a possibilidade de entender que é em nossas sombras que reside a criatividade.

Mesmo assim decidimos ver a série em plena luz do dia. Não me culpem. O próprio Perseu só viu a Medusa através do espelho formado pelo seu escudo.


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