Um dos trechos mais marcantes da literatura para mim vem de O nome do Vento de Patrick Rothfuss (se você der de cara com ele reclame veemente pela demora da publicação do livro 3 dessa trilogia). Ocorre quando o personagem principal clama por uma chance de entrar na universidade a despeito de pobre, pobre, pobre de marré.
Lembro disso quando um estado que cisma em não ser brasileiro
cria uma lei que estrangula financeiramente as instituições de nível superior
que ofereçam as tais ações afirmativas que estabelecem cotas para pessoas estigmatizadas.
Em outro exercício de ficção imagino alguém que traga na pele
uma marca que seja impossível de esconder, por exemplo, como bom tupiniquim ser
algo negro e algo índio. Imagine que este personagem esteja disposto a viver
milhas e milhas distante de casa, mesmo assim tenha uma atitude de homem, a
despeito de sua imaturidade. Assim encare o desafio da fria academia.
Na fantasia o personagem de cabelo de fogo comete um erro
fatal: entra na biblioteca (por falar nisso já leu O nome da rosa?) com
uma vela acesa. Na minha ficção ocorreria algo mais prosaico. Sei lá. Um
desentendimento devido a uma publicação na rede social.
Assim ou assado, carne seca com melado, olhando direitinho
dá o mesmo resultado. A vida do aluno diferente vai ficar um inferno. Sei bem
que nessa altura do campeonato vai ter alguém para ensinar que manda quem pode
e cumpre quem tem juízo. O que vejo, entretanto, é que nós todos perdemos o
juízo em algum cantinho do espaço tempo em que se normalizou nada menos que trezentos
anos de escravidão.
Nesse país imaginário seria possível até que alguma líder alinhada
ao status quo use flores como símbolo de uma nefasta política, que demonstre
a quem quiser que ter pele, pelos ou apelos diferentes de quem manda no pedaço não
é bem-vindo.
Ainda bem que tudo isso é apenas ficção.
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