Dizem que Campbell estava rodando nos Estragos Unidos para divulgar um livro, assim chegou em uma rádio onde foi recebido por um redneck. Este nem o cumprimentou e já foi dizendo: “é você o tal do professor que ensina mitologia? Vou provar que é um mentiroso”. Assim que começou a entrevista o radialista logo repetiu a frase. O professor retrucou que mitologia não é mentira é uma metáfora. De imediato o anfitrião pergunta: o “que é isso?”, porém o mestre devolve a pergunta.
Um hiato. Diferenciar mitologia e religião é, no frigir dos ovos, o mesmo que perguntar se alguém é maconheiro ou dependente químico. Tudo vai depender se a crença ou o parente é seu ou de outra pessoa.
Durante o hiato o espertinho chamou os comerciais e procurou um dicionário. Então recomeça citando: “metáfora é uma figura de linguagem que estabelece uma comparação implícita”. “Pode dar um exemplo?” Pergunta o docente. Outro hiato... “ele corre como uma gazela”. “Isso não é metáfora”. “Como assim?”. “Você teria que dizer que ele é uma gazela”. Então vem a lacrada: “isso é uma mentira!”, e a consequente invertida: “isso é uma metáfora”.
Com esse espírito que pretendo avançar aqui. Pois meu conhecimento religioso é bem limitado e, o que vou dizer agora é metafórico e poderia vir de um livro do Dan Brown: O tal do diabo que passa por ai hoje não foi sempre assim como conhecemos agora. Posso começar com Hades, que não me parece mau em essência, porém ele envelhece mal ao chegar em Roma e se tornar no rico Plutão, pois ao imigrar além do passaporte aquele que raptou Persefone tambem mudou a personalidade. Ainda mais tarde este personagem ganhou poderes dantescos justamente com Dante.
Poderes que quase fazem rivalizar com o bem supremo. Particularmente o de ser o culpado pelos erros dos outros. Assim se você bebeu, se drogou, foi parar em um bordel e todas outras coisas que o pato pateta do Vinicius fez... Bem, você não precisa assumir a culpa, já que ela é sua coloque em quem você quiser.
Assumo que também fico tentado, especialmente em definir algum desafeto com essa alcunha. Mas não o faço pela prudência de não oferecer tamanhos poderes a um adversário.
Pelo menos até ontem. Meu melhor amigo entrou numa de meditação e quis compartilhar a imagem da flor de lotus comigo. Aquela na qual a mais bela flor eleva aos céus seu brilho, mas tem suas raízes na lama. Então pergunto a ele como bem e mal podem habitar um só corpo. Recebo palavras que batem fundo. Um símbolo, que é aquilo que une. Enquanto isso diabolo é o que separa.
Segundos depois aprendo que agnus dei, não tem nada a ver com ser agnóstico, assim como sou, e sim um dos epítetos de Cristo que é o Cordeiro de Deus.