terça-feira, 27 de outubro de 2026

SENÃO EU VOU PRA JACAREPAGUÁ

Antes de tudo devo declarar que não vou fazer o mínimo esforço para tornar este texto engraçado. Ela é que era a graça. Ela não está mais aqui para contar. Então que seja uma homenagem.

Também não vou tentar fazer que este texto seja grandioso, essa missão ficou para o meu filho, que é neto dela e acabou de escrever sobre o lindo dia que ela fez questão de votar. A insistência veio com a fala de que ele tinha o direito garantido de fazê-lo, enquanto a geração dela teve que lutar por esse direito.

Também não vou tentar criar aquele clima delicioso de subúrbio. Outro Chico já fez isso ao compor Gente humilde.

Vou simplesmente contar uma breve história:

Jaísa estava com suas amigas na porta de casa, quando viu um cara estranho se aproximar. Ele usava um velho casaco jeans e uma calça tão jeans e tão velha quanto o casaco, a despeito do calor. Tinha cabelos longos, falava sozinho e andava cantando.

Talvez você não conheça a música antiga na qual o cantor se dizia neurastênico e que se não se cuidasse ele ia acabar em Jacarepaguá. Essa canção se refere a colônia na qual seres humanos eram empilhados.

Então ela chama as amigas para dentro de casa: “gente, vamos entrar logo, mais um que fugiu”. Seu senso de proteção era uma de suas marcas. Assim como hoje em dia, não era fácil ser mulher, de fato nunca foi. Sua reação era automática. Cabia a ela proteger, em especial suas cinco lindas filhas.

Mas... quem não gosta de uma fofoca que atire a primeira pedra. As três ficaram encolhidas na sala e tentavam ver o doido pelas frestas.

O louco para, bate palmas e grita: “Aninha, Aninha!”

Pronto, o maluco quer justo namorar minha filha!

Jaísa era sábia e perceptiva, ela estava certa. Afinal foi ela que educou a menina mais linda que já cruzou meu caminho. E eu, bem, eu sou louco pela filha dela.

Um comentário:

  1. rsrsrsrs ... ao que deduzo esse louco só se conseguia apagar o fogo dele chamando o Corpo de Bombeiros né!!!

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