O Caramelo não é um cara qualquer.
É um cara caramelo.
O Caramelo não pulou no pé do cavalo,
Nem bateu no ganso ou criou um galo.
Mesmo assim fugiu do Cão Policial.
O Caramelo não é cãovarde, mas não é mané.
Tem bossa e samba no pé.
Foi na igreja com o São Bernardo.
No culto com o Cão Pastor.
O Caramelo tem fé e tem dó, de quem não sabe que Deus é um só.
O Caramelo tá na pista e se desmancha por uma sambista.
Foi no terreiro pedir axé, no batuque do candomblé.
Depois se faz de atleta correndo atrás de bicicleta.
De noite ainda se entusiasma e uiva quando vê um fantasma.
De manhazinha não enrola e leva o menino pra escola.
O Caramelo sabe muito bem onde não pode pedir esmola.
O Caramelo não é otário, sabe quando pode sair do armário.
De tardinha abana o rabo pro padeiro português, em troca de pão francês.
De noite, sob a marquise, pena um bocado.
Lá ele esquenta o menino do pé quebrado.
Ele já foi verde, e agora é o elo, do focinho ao artelho,
O seu coração é vermelho.
Ao passar pelo Caramelo sorria.
Improvável que seja, ele vai viver por mais um dia.

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