quinta-feira, 22 de outubro de 2026

O HERÓI BRASILEIRO



O Caramelo não é um cara qualquer.

É um cara caramelo.

O Caramelo não pulou no pé do cavalo,

Nem bateu no ganso ou criou um galo.

Mesmo assim fugiu do Cão Policial.

O Caramelo não é cãovarde, mas não é mané.

Tem bossa e samba no pé.

Foi na igreja com o São Bernardo.

No culto com o Cão Pastor.

O Caramelo tem fé e tem dó, de quem não sabe que Deus é um só.

O Caramelo tá na pista e se desmancha por uma sambista.

Foi no terreiro pedir axé, no batuque do candomblé.

Depois se faz de atleta correndo atrás de bicicleta.

De noite ainda se entusiasma e uiva quando vê um fantasma.

De manhazinha não enrola e leva o menino pra escola.

O Caramelo sabe muito bem onde não pode pedir esmola.

O Caramelo não é otário, sabe quando pode sair do armário.

De tardinha abana o rabo pro padeiro português, em troca de pão francês.

De noite, sob a marquise, pena um bocado.

Lá ele esquenta o menino do pé quebrado.

Ele já foi verde, e agora é o elo, do focinho ao artelho,

O seu coração é vermelho.

Ao passar pelo Caramelo sorria.

Improvável que seja, ele vai viver por mais um dia.

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