domingo, 16 de agosto de 2026

DOIS CACHORRINHOS


Em homenagem a Cauã Cas o meu ilustrador

 

Tudo começa com uma piada antiga, contada inúmeras vezes pelo Moacyr Franco: “eu tinha dois cachorrinhos: Grapette e Repete, Grapette morreu...”

Sei que estou sendo repetitititititvo, mas meu primeiro contato com a leitura foram os quadrinhos. Asterix e a turma da Mônica chegaram as minhas mãos muito antes do que o Machado de Assis. Penso apenas que ele não tinha acesso a ilustradores à altura de seu trabalho, ou mesmo recursos suficientes para pôr imagens nos jornais em que escrevia na época. Como canso de repetir. Lá vou eu de novo: estou de volta aos gibis através do Sandman que me trouxe esse presente aqui copiado e colado.

Um pouquinho de contexto: há três figuras mitológicas que fiam, cortam e juntam os as vidas de deuses e humanos. Elas são elas retratadas aqui.  Como o tudo é lindo, vocês podem desfrutar do roteiro e dos desenhos simultaneamente. O problema dessa obra é que as ilustrações são tão peculiares que ficou difícil para mim mergulhar no texto.

Sabe quando você tá de frente para a tela e simplesmente esquece que tudo se trata de uma ficção, então começa a torcer pelo herói ou espera que a tensão sexual entre as personagens deságue em um adiado beijo? É isso que estava me faltando.  Repetindo: as ilustrações são tão espetaculares que eu simplesmente não conseguia ir adiante na trama.

Chega a hora de eu repetir minha própria poesia: “teço um texto que acontece, enquanto o faço em suas linhas me embaraço”. Volto a ele pois a inspiração para o que digito agora, e então, foram justo as Moiras.

Vida e escrita são tecidas em tapetes intermináveis, ambos só fazem sentido quando encontramos coesão e coerência entre pontos e nós. Um dia somos fiados, em outros cortados e finalmente inseridos em uma trama cósmica. Tudo que as três podem nos oferecer é viver enquanto estamos vivos.

A sincronicidade disso tudo ocorre justo quando minha linda namorada começa a aprender tricô. Insatisfeita com o resultado desfaz tudo de noitinha. Aproveito para beijá-la com ternura e digo: “pode parar de refazer, seu Ulisses chegou”.

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