quinta-feira, 5 de julho de 2012


BIMBO

Recebi uma solicitação inusitada: uma pessoa sofreu a perda de seu cãozinho querido, chamado Bimbo, e pediu que escrevesse sobre ele.
Em tese seria complicado, pois não conheci o Bimbo, mas farei como o ator global que ora representa o Agostinho da Grande Família.
Quando desempenhou, brilhantemente, o papel  principal, em “O que é isto companheiro” um jornalista, que conhecia Gabeira, lhe perguntou como ele tinha feito o congressista tão bem, Pedro Cardoso respondeu que evitou se focar na pessoa real, e sim em como uma pessoa aquele perfil reagiria em cada situação.
Pois bem, é o que farei.
Sei que o Bimbo é era um cão adorável e leal, pois assim são os cães. Da mesma forma sei que ele não era capaz de compreender as palavras de sua dona, mas o sentimento escondido em cada uma delas.
De vez em quando ele fazia bagunça, e se escondia sob a mesa da cozinha e só saia de lá quando a dona não estava mais brava, afinal todo o cão sabe que os humanos mordem! E como.
Mas, até para isto havia solução, bastava ficar quieto no cantinho, e esperar o contato visual para fazer aquela carinha de cachorro triste. E logo o pedido de desculpas era aceito.
Bimbo conhecia um cheiro diferente de todos outros e um andar que o despertava mesmo nos últimos dias de sua doença terminal. Assim como a rosa do Pequeno Príncipe, ele sabia que estas coisas tornavam sua dona uma pessoa única no universo. Ela era alguém para ser amada I-N-C-O-N-D-I-C-I-O-N-A-L-M-E-N-T-E, pois assim amam os cães.
Não sei se há um céu para os cães, espero que se haja de fato, tenham sido eles de ficção ou de carne e osso (e outro osso), possam se encontrar em um lugar maravilhoso. Lá ele deve estar brincado com a Baleia de Graciliano Ramos, feliz sob uma sobra curtindo um lugar onde cães e pessoas se entendam finalmente.

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